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18 de abril de 2026

Porque é que ficámos com os mirtilos

Quando compramos a quinta, a ideia óbvia era arrancar os arbustos e começar do zero. Trinta anos de mirtilos pareciam um estorvo — um cultivo que já não dava para viver dele, num terreno que sonhávamos transformar noutra coisa.

Demorámos uma primavera inteira a mudar de ideias. Foi em abril, quando os campos ficaram brancos de flor durante três semanas, que percebemos que não estávamos a olhar para um problema. Estávamos a olhar para a única coisa que tornava aquele lugar diferente de qualquer outro no Dão.

Hoje a colheita continua, todos os anos, entre junho e setembro. Não vendemos os mirtilos — ficam para os hóspedes, para a compota do pequeno-almoço, para o bolo que sai do forno às sextas-feiras. É pouco, em termos de negócio. Mas é a razão de tudo o resto.

As casas construíram-se à volta disto, não ao contrário.